Agora, agora e mais agora: seis memórias do último milénio 04 – memória quarta: da emancipação

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A quarta memória trata da palavra “emancipação”. “Trata de Kant e de Cândido – do Kant de O Que é o Iluminismo? E do Cândido personagem de Voltaire – como duas formas muito diferentes de perceber a entrada na modernidade. Em Kant, uma entrada como ‘uma decisão da vontade’ organizada ou ordeira, de súbditos que decidem ser cidadãos; no Cândido de Voltaire, o enfrentamento de uma modernidade caótica, aleatória, arbitrária, na qual temos de encontrar o nosso caminho depois de expulsos do paraíso que era viver sob a tutela de outrem quando ainda éramos jovens”, afirma Rui Tavares que acrescenta:

“Trataremos de entender como essas duas ideias de modernidade se compatibilizam com o mundo visto em permanente aleatoriedade e injustiça. Essa é a verdadeira entrada no mundo em que ainda vivemos e no qual somos, talvez, ainda guiados pela frase com que termina a obra Cândido, ou o Otimismo: ‘É preciso cultivar o nosso jardim.’”