ACADEMIA P - O Cânone: Cartas e Viagens, 5ª edição

ACADEMIA P - O Cânone: Cartas e Viagens, 5ª edição

€130,00

Assinante Público: 90 €

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Descrição do evento

Cesário deambula à noite por Lisboa. Garrett vai a Santarém, depois de passear no quarto. É de Santarém que Gil Vicente escreve ao rei (que estava em Palmela) contra o obscurantismo do clero. Pessoa multiplica-se em cartas sobre a sua obra e como será lida. Camões escreve de Goa para Lisboa, queixando-se da vida. E Carlos de Oliveira acelera a poesia portuguesa. Entre cartas e viagens, venha conhecer as voltas que a literatura portuguesa dá.


Sessões

22 de Outubro - Uma carta de Gil Vicente, Isabel Almeida

Na Ética a Nicómaco, Aristóteles lembrou que é preciso viver a vida inteira para se poder fazer dessa experiência um balanço seguro. O mesmo diremos a respeito da obra de um autor: para a conhecer, importa atender ao seu conjunto, sem ignorar o que parece “miúdo” e tantas vezes fica na sombra. Exploraremos, assim, um texto vicentino geralmente esquecido: a Carta escrita a D. João III acerca das reacções a um tremor de terra – corajoso discurso sobre o mundo incerto que todos habitamos.


29 de Outubro - Duas cartas de Camões, João R. Figueiredo

Numa das poucas cartas que chegaram até nós, Camões registou algumas impressões de Goa, onde haveria de permanecer longos anos. Não nos esqueçamos, todavia, que a Elegia I é também uma carta, ainda que em forma de poema, um dos mais admiráveis de Camões, e também ela regista as impressões do recém-exilado, bem como observações sobre a acção dos portugueses no Oriente. Ainda que muito díspares (uma, desbragada; a outra, inexcedível de apuro literário), não diferem no que têm a dizer: Goa é profundamente decepcionante.

 

5 de Novembro - Três cartas de Fernando Pessoa, António M. Feijó

A correspondência de Fernando Pessoa contém alguma da mais importante obra literária do autor. O exemplo mais evidente, e mais insistentemente invocado, dessa importância é o da carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos heterónimos. Outras cartas de Pessoa deverão ser consideradas como parte desse rarefeito conjunto, em particular várias das que enviou a João Gaspar Simões. Nesta sessão analisaremos três destas cartas, todas elas versando sobre o entendimento que Pessoa tinha da sua obra e da sua identidade como autor.  

 

12 de Novembro - O Sentimento dum Ocidental, de Cesário Verde, Rita Patrício

O poema mais importante do século XIX português foi escrito para comemorar o 3º centenário da morte de Camões, mas consiste num passeio nocturno, aparentemente sem rumo, pelas ruas de Lisboa. Reclama-se um poema realista, mas parece mais uma fantasmagoria. Será realmente um poema sobre Camões ou sobre a História de Portugal? Ou será antes um poema sobre o próprio Cesário Verde e os seus estados de espírito perante o que vê?

 

19 de Novembro - Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, Abel Barros Baptista

Na literatura portuguesa, Garrett tem reputação de fundador, nomeadamente da prosa literária moderna e de várias outras coisas não menos modernas. Com Viagens na Minha Terra, deu exemplo da moderna graça do romancista, um sujeito que, tendo resolvido viajar na sua terra depois de ter viajado no quarto, acabou por encontrar o que poderia ter encontrado no mesmo quarto: uma história sentimental, de que ainda hoje não se sabe dizer se sobrevive ao passado ou se viaja rumo ao futuro, sendo a razão da dificuldade nem lhe faltar um frade sinistro.

 

26 de Novembro - "A Viagem", de Carlos de Oliveira, Joana Matos Frias

"A viagem" é uma espécie de fantasma do paradoxo dos gémeos: datado de 1970, trata-se do texto de abertura do livro O Aprendiz de Feiticeiro, publicado em 1971, e é, no entanto, a peça menos antiga dessa colectânea que reúne várias décadas de contos, crónicas e artigos de índole diversa. Ultrapassou os outros pela direita. Ao volante do seu automóvel, o escritor cita Álvaro de Campos, mas não guia sozinho e muito menos "quase devagar". Tentaremos perceber a que velocidade conduz, em que é que consiste a aceleração e por que outra estrada segue o texto.

 

Como funciona?

- 6 sessões online, na plataforma ZOOM PÚBLICO, de 1h30 cada

- 1 sessão por semana (quintas-feiras, às 18h30)

- A frequência das 6 sessões conferirá um certificado de participação e a oferta do livro O Cânone

- Acesso à gravação das aulas

- Data de arranque: 22 de Outubro de 2026

 

Preço:

- Não assinantes: 130 €

- Assinantes Público: 90 € 

Este curso acontecerá em parceria com a Fundação Cupertino Miranda e a editora Tinta-da-china.